terça-feira, 4 de setembro de 2018

A Roda de Passarinho Via Embratel

Matéria publicada no site do Instituto Net Claro Embratel em 4 de setembro de 2018
por Leonardo Valle

Leia a matéria no original, clicando aqui

Projeto aproxima crianças e adultos das aves por meio de atividades lúdicas

“Pássaros podem evitar disseminação de doenças e estimular agricultura”, diz criador do Roda de Passarinho



O planeta possui 11 mil espécies de aves conhecidas. Apesar disso, a estimativa é que uma em cada oito esteja ameaçada de extinção, segundo a organização não governamental (ONG) BirdLife Internacional. Seu relatório, intitulado “O Estado das Aves no Mundo – 2018”, adverte que, sem a intervenção de entidades de proteção, pelo menos 25 espécies desses animais já teriam desaparecido na última década.

O desconhecimento sobre os pássaros, contudo, pode agravar o problema. Moradores da Reserva Rio de Furnas (SC) durante nove anos, os fotógrafos de aves Renato Rizzaro e Gabriela Giovanka perceberam que as visitas, exposições e encontros envolvendo alunos e professores do município tinham carência de informações sobre o tema. Para solucionar o problema, eles desenvolveram, em 2003, um projeto de sensibilização chamado “Roda de Passarinho”.

“O foco da atividade está em aprender a observar, reconhecer e investigar as aves”, afirma Renato Rizzaro

“Notamos que os participantes comentavam sobre o comportamento de elefantes, girafas e tigres, apresentados em programas de TV, mais do que sobre animais da fauna brasileira, particularmente aqueles que os circundavam”, relembra Rizzaro.

Assim, por meio de experiências lúdicas, eles passaram a transmitir o conhecimento sobre as aves que habitavam o entorno das comunidades e de outras espécies curiosas que viviam em localidades distantes, e que os moradores não teriam contato pelos meios de comunicação.

“O foco da atividade está em aprender a observar, reconhecer e investigar esses animais”, resume. “O projeto foi primeiro idealizado para a comunidade onde a Reserva Rio das Furnas está inserida, principalmente com os alunos da Escola Municipal de São Leonardo”, relembra o fotógrafo. Como o casal viajava para outras localidades para registrar espécies de aves, não demorou muito para eles levarem a iniciativa para outras crianças e, na sequência, para adultos também.

Sementes e sons
Para a Roda de Passarinho acontecer, o primeiro passo é a escolha do local, que pode ser numa sala de aula ou à sombra de uma árvore. “Formamos um círculo com um grupo de 15 a 20 participantes, entre sete a 12 anos, um ou mais professores e, quando possível, alguém da comunidade que se interesse pelo tema. O tempo é de aproximadamente duas horas”, conta Rizzaro.

São distribuídas fotos e imagens que incluem paisagens e exemplares da fauna e da flora, seguida de alongamento, movimentos inspirados nos animais e também um jogo cooperativo chamado tarrafa de bola, que desenvolve a sincronicidade e a colaboração.

Crianças da aldeia Tritopá durante a tarrafa de bola, jogo que ajuda a desenvolver a sincronicidade e a cooperação


“Depois, escutamos sons da natureza e gravações com o canto das aves. A adivinhação e identificação das espécies é estimulada”, relata. “Sementes secas, frutas e flores dos diversos biomas também são utilizadas, além de brinquedos feitos com esses materiais, como o pião de tucumã que é sempre festejado, assim como as flautas de taquara e bambu”, pontua

Segundo o fotógrafo, após a atividade, os participantes se sentem mais próximos dos pássaros. “As aves sempre foram cultuadas pelo homem, seja como símbolo de guerra ou imagens gravadas em túmulos de faraós, passando pela utilização de suas penas nos cocares dos nativos brasileiros”, conta.

Além disso, as curiosidades sobre as espécies costumam encantar os participantes da roda. “A andorinha, por exemplo, come cerca de 2.500 insetos por dia. E os urubus são extremamente importantes para o equilíbrio ecológico, pois evitam a disseminação de doenças. Sem contar que esses animais também são dispersores de sementes, bioindicadores e polinizadores potenciais, como é o caso do beija-flor”, lista.

Liberdade às aves
Por fim, a iniciativa tenta transmitir uma mensagem de não aprisionamento de pássaros. “O homem precisa aprender que a beleza, a delicadeza e o canto não podem ser capturados, somente apreciados”.

Ainda de acordo com o especialista, o cidadão pode colaborar com a preservação dessas espécies, plantando mais árvores e flores. “É preciso pensar na natureza como um organismo vivo e as aves como seres essenciais para a sobrevivência do nosso planeta”, finaliza.

Para saber mais sobre o projeto, Renato Rizzaro e Gabriela Giovanka disponibilizam materiais e relatos de participantes no blog Roda de Passarinho.

Crédito das imagens: Renato Rizzaro

sexta-feira, 31 de agosto de 2018

As Rodas em Nova Nazaré, Aldeia Xavante e Cocalinho, MT


Mais de 2.000km até Nova Nazaré

Em nossa expedição à Amazônia, em 2012, passamos pelo Roncador e Nova Xavantina, onde conhecemos Cocó e sua bela família. Daquela época ficou muita saudade e a vontade de rever nossos amigos. Agora, em agosto de 2018, contactamos o irmão do Cocó, Márcio Rotta, Diretor das Escolas Municipais Indígenas de Nova Nazaré, um pouco além de Xavantina, e retornamos àquela bela terra para realizarmos três Rodas de Passarinho.

Nova Nazaré, ex distrito de Água Boa, possui 48% de área indígena; possui 27 aldeias e 28 escolas indígenas, com uma população de aprox. 3.000 habitantes, 1.900 indígenas. A Aldeia Tritopá é uma das aldeias recentemente emancipadas onde realizamos a segunda Roda de Passarinho.

Tivemos o apoio da Secretaria Municipal de Educação de Nova Nazaré, através de seu Secretário Elson Hideyoshi Kamiguchi, goiano, psicólogo residente na cidade há dez anos, que bancou o diesel para nossa expedição além de estadia, alimentação e a aquisição de fotografias e duas coleções de posters das aves dos biomas brasileiros.






Nossa casinha rodante numa das paradas antes de chegar ao Roncador



Início da misteriosa Serra do Roncador, onde Percy Fawcett sumiu em 1925



Maurinho do Roncador nos preparativos do ritual Xavante



A primeira Roda de Passarinho em Nova Nazaré

Aconteceu no pavilhão da Igreja Matriz com os alunos da Escola Municipal de Nova Nazaré, com a participação da Professora Lucilene Ávila de Oliveira e de nosso querido amigo Márcio Rotta, que nos acompanhou em todas atividades, inclusive conhecer a sua bela cidade.

Márcio é paulista, formou-se em Biologia e está em Mato Grosso há 21 anos onde foi professor por um bom tempo e além de Diretor é um cicerone magnífico! Empolgado, nos levou a conhecer TiZé (José Gonçalves Martins), que mantém às próprias custas o Museu da Casa Amarela onde coleciona peças que nos fizeram visitar um passado nostálgico repleto de vitrolas, TV à bateria, discos de vinil, isqueiros, moedores de café, roda de fiar, roca...

TiZé, como é conhecido, tem uma história interessante: veio de Minas, onde era professor e dava aulas de alfabetização. Em Mato Grosso concluiu o segundo grau formou-se em Pedagogia e aposentou-se.

Clique aqui e assista o video.


A primeira Roda na Escola Municipal de Nova Nazaré. Profa. Lucilene Oliveira, Gabriela e Márcio Rotta.


Aos participantes foi solicitado que desenvolvessem materiais com sementes...












... e todos ganharam uma caderneta de campo.

TiZé, um encontro emocionante com o passado

O querido Márcio Rotta, Diretor das Escolas Municipais Indígenas


A Roda Xavante

No segundo dia fomos à tão aguardada Aldeia Xavante: Tritopá. Muito bem recebidos pelo Cacique Reinaldo Xavante e pelos professores Manuel, Caucília e Moisés, logo passamos a ajeitar uma sombra para realizarmos a Roda de Passarinho.

Tivemos uma comitiva calorosa, primeiro pelos pequenos moradores da aldeia, com sua curiosidade sempre à for da pele e pela Coordenadora das Escolas Indígenas Nilza Rosa Giacomini.

Nilza, formada em Geografia, veio com o movimento das freiras na década de 90 do Rio Grande do Sul e ficou pela cidade onde constituiu família e vive até hoje.

Uma equipe de professores atua na Aldeia Tritopá: Clóvis Ido Butse da Silva, Darci Rudza Ne Pemra Xanvante, Manuel Divino Tsere, Caucília Fidélia da Silva e Moisés José de Oliveira e nos apoiaram em nossa atividade do começo ao fim.

Muitos jovens que participaram desta Roda de Passarinho não sabiam muito bem nossa língua e Darci traduzia para os atentos alunos o que mostrávamos. Também aprendemos alguns nomes de aves, plantas e bichos, assim como dizer muito obrigado: repãré!

Clique aqui e assista o video que produzimos desta Roda.














As flautas presenteadas à Aldeia fizeram sucesso entre os participantes



Professor Manuel participa da Roda






Professor Darci apresenta o trenzinho feito de buriti
"Flecheiros" apresentam material seguindo a tradição Xavante, conforme nos explica Darci
Helicóptero feito de fibras vegetais a partir de visualização in loco na aldeia


Quase toda a comunidade na Tarrafa de Bola: exemplo de cooperação!



Artesanato com as fibras de buriti


Ao final, abraços carinhosos...








Animada partida de futebol onde só mulheres participaram...


















Ao lado do campo oficial a garotada também se divertia com a bola



Fomos convidados a conhecer a Casa onde os Adolescentes passam 4 anos isolados...



...que no ano de 2019 finalizarão o ritual iniciado há 3 anos.

A terceira Roda, em Cocalinho

Nosso querido Márcio Rotta nos levou a conhecer alguns locais mágicos de sua região, como a Gruta Seca e o Fevedouro. No caminho passamos na vila fundada pelo Grupo Roncador que mantém ali uma mineradora, na chamada Vila do Calcário. Lá encontramos algumas professoras e agendamos uma Roda de Passarinho à jato, para o dia seguinte.

Preparavam uma festa para sexta à noite, em comemoração ao dia dos pais, mesmo assim realizamos uma Roda bem bacana, na frente da Escola Municipal Coopercal.

Clique aqui e assista o video que produzimos.


Fervedouro: nascentes em área particular preservada com peixes e água cristalina