quinta-feira, 13 de agosto de 2020

Matéria publicada no site Fauna News

Roda de Passarinho percorre o Brasil levando brincadeiras e informações sobre ambiente e Ciência às crianças

Crianças sentadas em roda

Roda de Passarinho no Instituto Oca Brasil em Alto Paraíso de Goiás – Foto: Simone Guimarães

Jornalista com MBA Executivo de Administração e especialização em Comunicação Corporativa Internacional. Observadora de aves e escritora de livros infantojuvenis com temática voltada à conservação da fauna
educacaoambiental@faunanews.com.br

Pouco tempo depois de ter lançado meu primeiro livro infantil, Topetinho Magnífico (Ed. Melhoramentos, 2012), recebo uma mensagem do fotógrafo e designer gráfico Renato Rizzaro, que até então não conhecia, perguntando se eu poderia doar alguns exemplares do livro para serem usados em um programa com crianças.

Logo me animei, pois sempre encarei que a finalidade maior de escrever livros infantis seria que eles chegassem a um maior número de leitores mirins. E interessei-me por conhecer a aventura para onde Renato levaria o Topetinho, um projeto chamado Roda de Passarinho.

Uma Toyota, muitos livros e fotos de aves. Com basicamente esse arsenal, o casal Renato Rizzaro e Gabriela Giovanka tem percorrido, há quase 20 anos, o Brasil, para educar de forma lúdica crianças de diversas regiões.

Tudo começou – conta a administradora especializada em Naturologia, Gabriela – com a visita frequente de crianças da comunidade onde a Reserva Rio de Furnas, em que moravam, está inserida, no município de São Leonardo, interior de Santa Catarina. A área foi adquirida pelo casal em 2001 e transformada em uma RPPN, ou seja, em uma reserva particular do patrimônio natural. “Uma visita recorrente era a nossa vizinha Ana, então com 7 anos.”, lembra-se Gabriela. Segundo ela, foi vivendo na Reserva que passaram a estudar a natureza, em especial a observação de aves.

Por que Roda de Passarinho?, pergunto, curiosa. “Percebemos que as aves são um símbolo muito forte de beleza, curiosidade e liberdade para todas as idades, e esses são sentimentos que experimentamos durante o tempo em que vivemos na Reserva”, explica Gabriela. Concordo plenamente com eles.

Sentados em frente à casa, na cozinha ou caminhando pelas trilhas que mantinham, conversavam animadamente com as crianças sobre a água pura do rio, os animais que se aproximavam da casa, porque era importante cuidar das árvores e quais os nomes das aves avistadas que descobriam e registravam por meio de fotos, gravação dos cantos e pesquisa nos livros.

“Percebemos que as crianças adoravam essas conversas tanto quanto nós e resolvemos oferecer um pouco do nosso tempo para a escola multisseriada de São Leonardo”, diz Gabriela. Aprovada a ideia pela Secretaria Municipal de Educação e pela professora da escola, passaram a dedicar uma tarde por mês para o encontro, que também passou a incluir as crianças que frequentavam o PETI – Programa de Erradicação do Trabalho Infantil, com sede em Alfredo Wagner (SC).

Depois, em parceria com a prefeitura e o Colégio Estadual de São Leonardo, realizaram uma exposição de fotografias de animais e de paisagens da Reserva Rio das Furnas, que recebeu visitas monitoradas dos estudantes e professores da cidade.

Nascia assim a Roda de Passarinho.

“Nosso objetivo é a sensibilização para a importância da recuperação e da conservação das florestas, orientados por nossas experiências, pesquisas bibliográficas e auxílio de pesquisadores e amigos que frequentavam a Reserva”, diz Gabriela.

Pé na estrada
Em 2010, Renato e Gabriela deixaram a Reserva e resolveram levar a Roda de Passarinho para outros lugares do Brasil. “Estávamos com um arquivo fotográfico e sonoro muito bom das aves da Floresta Atlântica. Queríamos conhecer os outros biomas e as comunidades que neles vivem”, contam.

O primeiro destino, em setembro de 2011, foi o Pantanal, “esse incrível mundo do movimento das águas e aves”, na definição de Renato. Na bagagem, além de fotografias, alguns materiais coletados nas trilhas da Reserva, como sementes e penas; uma tarrafa especialmente feita para a Roda; flautas; áudios de cantos de aves; e livros infantis sobre aves, doados por amigos, para serem distribuídos entre as crianças e nas escolas. Isso sem mencionar uma lista de aves a serem observadas e fotografadas com a ajuda de guias e amigos.

A partir dessa experiência, o roteiro foi ampliado nos anos seguintes para a Amazônia, o Pampa, o Cerrado, a Caatinga e, por último, para o litoral, para conhecer as aves costeiras.

Professora e alunos mostrando fotos de aves
A professora Neri e seu Antonio do Boto juntos com a turma da escola na comunidade de Igapó-açú (AM) – Foto: Renato Rizzaro

Antecedem as viagens muita pesquisa: listas de aves, contatos com biólogos, guias e a orientação do amigo ornitólogo Vítor Piacentini. “Pesquisamos os hábitos, a alimentação, o habitat e cantos e entramos em contato com pessoas, escolas e instituições para o possível agendamento das Rodas nas cidades em que passamos. Solicitamos permissão para entrar em parques nacionais com possibilidade de hospedagem e por aí vai…”, explica Renato.

Essas expedições são financiadas com o seu trabalho e com a confecção dos pôsteres das aves, que vendem em uma loja virtual. A exceção ficou por conta da expedição à Caatinga, realizada através de financiamento coletivo.

“Com o passar do tempo, muitas pessoas passaram as nos receber em suas casas e contribuíram para a realização da Roda de Passarinho em diversas comunidades e lugares onde não teríamos como passar”, diz Gabriela.

Público e materiais
O público é constituído principalmente de crianças e jovens de 7 a 12 anos, estudantes do ensino básico e fundamental, de escolas públicas, com a presença de professores e, quando possível ,com convidados da comunidade. Já houve Roda com grupos de professores e de estudantes universitários de cursos de Ciências.

A Roda de Passarinho conta com a distribuição de fotos (originais, em papel fotográfico no formato 13×18 cm) de paisagens, animais, plantas e – claro! – aves, que circulam de mão em mão, em formação de roda, com a atenção voltada para os nomes, onde são encontrados, o que comem, etc.; além de uma atividade física, como o alongamento (sugerindo a observação da postura e comportamento das aves) e orientação para a observação das aves em seu habitat, estimulando o silêncio e intercalando os cantos, em playback. Nessa atividade, as crianças tentam adivinhar quais aves estão cantando e aprendem sobre a importância da identificação das espécies através do som – para a ciência e os observadores de aves.

Crianças deitadas em roda no chão
Atividade realizada na Fundação Casa Grande, no Crato (CE,), em 2015 – Foto: Roda de Passarinho

Outras atividades realizadas são a distribuição de sementes secas, cápsulas de sementes, flautas de taquara, etc., com objetivo de demonstrar a interação de todos esses elementos com os bichos, especialmente as aves; e a brincadeira da tarrafa de bola, que busca elucidar a importância do respeito entre as diferenças e a cooperação. “A Tarrafa de Bola, atividade adaptada dos Jogos Cooperativos, finaliza a Roda de Passarinho e busca elucidar a importância do respeito entre as diferenças e da cooperação para a realização de um objetivo”, explica Renato.

Como reagem as crianças a tudo isso? Com encantamento e muita curiosidade, assegura Gabriela.

“Um aluno, certa vez, ao ser questionado ao final da Roda sobre o que mais havia gostado, pensou alguns segundos e falou, objetivo e direto: pau seco! Após um breve silêncio dos demais participantes, completou triunfante: porque adoro pica-pau e, sem pau seco não tem ninho nem comida para pica-pau. As reações podem ser incríveis, não é mesmo?”, recorda Renato.

Recepção
“Até hoje só temos boas recordações dos locais onde passamos com a Roda de Passarinho e cada uma delas tem uma história emocionante a ser contada”, diz Gabriela, lembrando-se da pequena Vila Rayol, em Itaituba (PA), vizinha do Parque Nacional da Amazônia.

“Ali, nas margens do Tapajós, aconteceu a terceira Roda de Passarinho da Expedição Amazônia. O pequeno vilarejo – matriarcal – estava sendo ponto de encontro de equipes de prospecção de hidrelétricas que seriam construídas naquela parte do rio. Chegamos de repente e todos os visitantes ou eram pesquisadores ou contratados pelas empresas de prospecção. Procuramos a líder comunitária, explicamos nossa intenção e fomos aguardar a reunião dos alunos, professora e convidados à sombra das árvores, à beira do Tapajós. Pouco a pouco, a roda foi feita e iniciamos nossa apresentação. Logo apareceu o primeiro pássaro e outro e as pessoas foram chegando, empolgadas, mostrando o que conheciam dos bichos do local. Finzinho da tarde, fomos dormir e, na manhã seguinte, fomos recebidos por uma galerinha da escola que nos trouxe desenhos e redações feitos para nos presentear. Aí a gente amoleceu de verdade com tanto carinho.”, lembra-se.

Pedra de Vila Rayol (PA), lugar onde a comunidade se reune para admirar o nascer do sol – Foto: Gabriela Giovanka

E agora, com a pandemia?
Tudo suspenso, diz Gabriela, citando os planos para o futuro: encontrar um lugar para cuidar e muitas Rodas de Passarinho.

“Por enquanto, é preciso garantir que todas as crianças estejam seguras.
Seguimos apresentando nossa lojinha virtual para conseguir recursos, seguimos elaborando guias de aves para parques, municípios e parceiros, e com uma vontade imensa de botar o pé na estrada!”, completa.

sábado, 18 de abril de 2020

14 mil quilômetros em 120 dias pela Costa Brasileira - Capítulo Final

Do Oiapoque ao Chuí


Extremos unidos numa frase curta demais para definir os mais de 8 mil quilômetros da Costa Brasileira que finalmente percorreríamos ao inverso, de Sul a Norte, numa História iniciada em 2010 espichada à beira de 2020. Lá atrás, iniciamos abraçando o Uruguai desde Rivera descendo pela costa oeste, Montevidéu, Laguna de Rocha e entramos pelo Chuí. Pouco a pouco as aves do litoral do Rio Grande do Sul e Santa Catarina foram registradas, até estufar os panos para os confins do Norte, quase dez anos depois.

Ricardo Motta, chefe do Parque Nacional do Cabo Orange nos recebeu em Macapá super preocupado, pois a única embarcação estava pifada. Faltavam peças, apresentava defeitos há tempos e apesar de toda dedicação, sem recursos para manutenção ou barco reserva, nossa passagem pelo Cabo Orange ficou na vontade.

Com o Cabo fora do roteiro, entramos em contato com a Antropóloga e amiga Antonella Tassinari, para uma Roda de Passarinho na aldeia dos Karipuna, povo que Antonella estuda há tempos. Conseguimos o contato com um professor e também autorização do Cacique e da Funai para permanecer na Aldeia Manga e realizar a Roda com alunos da escola local.

Tudo preparado e certo até a energia ser cortada por uma queda de árvore na linha de transmissão. Sem água e sem aula, os alunos dispersaram e a Roda não aconteceu. Dormimos na aldeia, visitamos o Museu dos Povos Indígenas do Oiapoque e pé na estrada.

Oiapoque é uma cidade-fronteira movida a garimpo com um comércio de quinquilharias e pescados nas ruas sujas, hotéis sempre lotados e o combustível mais caro do país! Esse foi o cenário idílico após rodar pelos piores 160km de uma estrada que está sendo asfaltada até o final dos seus 560km a partir de Macapá.

O que nos levou a enfrentar centenas de quilômetros desde Amapá ao Oiapoque foi a vontade de pisar numa lenda e fechar o circuito litorâneo no último ponto da Costa Brasileira. Valeu por conhecer os Karipuna.

Ao fundo a ponte entre Brasil e Guiana Francesa e os barcos "de linha" entre os dois países

Indumentária Karipuna no Museu dos Povos Indígenas

O Museu é administrado pelos Karipuna praticamente sem apoio além da venda de artesanato

Na frente da Escola aguardando o retorno da energia elétrica

Grafitti na parede da Escola

Banco dos Karipuna feito para a cerimônia um dia antes de nossa chegada

Um outro banco no mesmo círculo cerimonial

Visita enquanto aguardávamos a energia, que não veio

Através deste rio a conexão com as longínquas aldeias dos Palikur


Primeiros 160km da única estrada que liga o Oiapoque com o Brasil

Embarque no Porto de Macapá, a 600km do Oiapoque

Cortamos o Piauí para conhecer a espetacular obra de Niéde Guidon, o Museu da Natureza

O Museu da Natureza conta a história da vida na Terra a partir das grandes mudanças climáticas

Em São Raimundo Nonato é certo a visita à Cerâmica Capivara

Espia só quem pegava um sol! Estivemos na Capivara na Expedição Caatinga, em 2015

Outro recorte na paisagem e fomos rever amigos do Quilombo Jatimane

Dona Dida, mãe de Pedrina, nos recebeu com carinho em seu restaurante

Parada em Ituberá, para rever nosso grande amigo Jorge Velloso, o mago das RPPNs da Bahia

A volta teve muitas surpresas, como o encontro com a Bióloga Damiana...

... e presenciar o nascimento das tartaruguinhas protegidas pela Coração de Tartaruga

Novamente em Maraú, fomos visitar a Ilha de Martinha numa região de manguezais espetaculares...

... e novamente pousamos no Paraíso dos Algodões

Na Terra dos Pataxó a última Roda de Passarinho da Expedição pela Costa Brasileira

Guia Pataxó nos mostrou um pouco da História do seu povo e pássaros do Monte Pascoal


Guia e Poster das Aves Costeiras

Passamos os três primeiros meses de 2020 escolhendo, tratando e recortando fotos; estudando cores de fundo até chegar ao azul de Iemanjá; desenhando e trocando ideias com Guias, Ornitólogos e fotógrafos para finalmente apresentar o Guia e o Poster das Aves Costeiras.

Provas de prelo foram analisadas com carinho e precisão; mínimos acertos foram revisados trocentas vezes por nossos parceiros e enviados para a gráfica. Agorinha, neste mesmo instante, chegaram os impressos e estão prontinhos para serem enviados para todo mundo curtir as maravilhas aladas da Costa Brasileira!

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Detalhe do Poster das Aves Costeiras

Outro detalhe do Poster das Aves Costeiras

O Guia de Bolso das Aves Costeiras com sua bela capa
Foram acrescentadas algumas espécies além das que estão no Poster

Detalhe do Guia das Aves Costeiras

 

Ficha Técnica

Realização: Roda de Passarinho
Fotos, Redação, Design: Renato Rizzaro
Pesquisa e Revisão: Gabriela Giovanka 
Orientação e Revisão Científica: Vítor de Q. Piacentini e Onofre Monteiro/Aquasis
Fotógrafos convidados: Alejandro Olmos, Bruno Kadletz, Carlos Blanco, Cecília Licarião,
Danielle Bellagamba, João Quental e Marina Somenzari
Fontes: Helmut Sick, CBRO, HBW

 

Agradecimentos

Adriana Mendes, Nova Friburgo, RJ
Aldeia Karipuna, Oiapoque, AM
Aldeia Pataxó, Porto Seguro, BA
Alexandre e Isa Moreira, Ilha de Santa Catarina
Anna Andrade, Ilha de Deus, Olinda, PE
Antonella Tassinari, São Paulo, SP
Bárbara, Leonor e família, Itaparica, BA
Caio Brito e Tati Pongiluppi, Caparaó, MG
Carlos Eduardo Blanco, Angra dos Reis, RJ
Cecília Licarião, Fernando de Noronha
Ceiça, Camping Serra da Capivara, PI
Claudia Guadagnin, OJC, PR
Cláudia Schembri, Santo André, BA
Cláudio Lopo, Itacaré, BA
Cristina Rappa, São Paulo, SP
Cristine Prates e Ciro Albano, Fortaleza, CE
Daia & Jola, Península de Maraú, BA
Daniel Cywinski, Paraty, RJ
Daniela e Alice Marreiros, Serra Capivara, PI
Débora Reis, Itaparica, BA
Dona Ciça, Instituto Pierre Verger, Salvador, BA
Douglas PT & Maiara, Belém, PA
Dra. France, Belém, PA
Edgar Fernandez, Instituto Guaju, PR
Elair, Mar Brasil, Pontal do Paraná, PR
Eleildes do Rosário, Quilombo Jatimane, BA
Equipe ICMBio Maricá-Jipioca, Amapá, AP
Fabio Nunes, Aquasis, Aquiraz, CE
Fernando Costa Straube, Curitiba, PR
Filipe Ventura, Quilombo Monte Alegre, ES
Frederico Brandini, São Paulo, SP
Girlan Dias, ICMBio, MA
Gislaine Disconzi, Alto Paraíso, GO
Heleno dos Santos, ICMBio Cajueiro da Praia, PI
Ico, Polyanna & família, Seridó, RN e J. Pessoa, PB
Iranildo S. Coutinho, Maricá-Jipioca, AP
J. Augusto Alves, Macapá, AP 
Jamile Nobre e família, Itaparica, BA
João Velho, Icapuí, CE
Jorge Cuesta, Belém, PA
Jorge Velloso, Instituto Água Boa, Ituberá, BA
José Luiz S. Barata (Seu Zé), Maracá-Jipioca, AP
Josimar de Oliveira, S. José do Seridó, RN
Katja Hölldampf, Belém, PA
Léa Penteado, Santo André, BA
Leck Marinho, ICMBio Maracá-Jipioca, AP
Léo Alves, Vitória, ES
Leopoldo Pivovar, Vargem Alta, ES
Mãe Beth de Oxum & família, Olinda, PE
Mahalo Camping, Icapuí, CE
Marcelo C. Sousa, Aracaju, SE
Marcos Peralta e família, Oca Paraty, PR
Maria das Dores, Quilombo Jatimane, BA
Marisa & Márcio, Península Maraú, BA
Marta Tochie, Península Maraú, BA
Mary Jane, ICMBio São Luis, MA
Mizael, ICMBio Maracá-Jipioca, AP
Mônica Nunes, Conexão Planeta, SP
Muriel Noel, Santo André, BA
Nívia, Instituto Oyá, Salvador, BA
Onofre Monteiro, Aquasis, CE
Osmar Borges, ICMBio Boa Nova, BA
Paulo Silvestro, ICMBio Macapá, AP
Pedrina Rosário, Quilombo Jatimane, BA
Priscilla Gomes, Veracel Porto Seguro, BA
Rafael Buda, Olinda, PE
Rafaella e J. Quental, Rio de Janeiro
Rafa & Julia, Ilha de Santa Catarina
Renata Meireles, Território do Brincar, SP
Ricardo Mendes, Belo Horizonte, MG
Ricardo M. Pires, ICMBio Cabo Orange, AP
Ritinha, Neojibá, Salvador, BA
Roberto Kobayashi, Icapuí, CE
Rogério Funo, ICMBio São Luis, MA
Ronaldo Francisco, L. Magalhães, BA
Salomé França, Itaparica, BA
Samarone, Itabaiana, SE
Suzana Camargo, Conexão Planeta, SP
Sylvia Junghähnel, Parati, RJ
SPVS, Curitiba, PR
Tania Caju & Equipe, Vitória, ES
Tatjiana Lorenz, Goethe Institut, SP
Thiago Toledo, Fortaleza, CE
Tise, SPVS, Curitiba, PR
Vítor Piacentini, Cuiabá, MT
Zaba Moreau, São Paulo, SP


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14 mil quilômetros em 120 dias pela Costa Brasileira - Capítulo VI

A sonhada Ilha Maracá-jipioca

Após 28 horas navegando pela baía do Guajará (formada pelo encontro da foz dos rios Guamá e Acará) desembarcamos em Macapá e fomos direto para a sede do ICMBio, onde nos esperavam Paulo Silvestro e Ricardo Pires que tentava a todo custo consertar o barco que nos levaria até Cabo Orange.

Tomamos um belo banho e dormimos no estacionamento do ICMBio para no dia 27 de novembro seguir até Amapá, de onde embarcamos para Maracá-jipioca. Seu Zé (José Luiz S. Barata) e equipe chegaram cedo para levar mantimentos e diesel para o gerador da Ilha das Onças, como também é conhecida a Resex Maracá-Jipioca, chefiada por Iranildo Coutinho, na única voadeira que faz o trajeto de 5km que nos separa da ilha em uma hora e meia, quando não há ventanias ou marés altas aumentando muito o tempo de viagem.

Botamos nossas tralhas em sacos estanques cobertos por uma lona muito bem amarrada pelo Seu Zé. Saímos de um portinho improvisado na maior calmaria e fomos entender o cuidado com que a lona foi amarrada quando pegamos mar aberto e as ondas nos faziam saltar quase pra fora da voadeira.

A habilidade do Seu Zé ao desviar ou pegar as ondas só nos preocupou quando ele contou que já rachou a voadeira algumas vezes (!) mas tudo bem... só vai molhar mais um pouco... e ria contando histórias de marinheiros de primeira viagem que seguravam a borda da voadeira com tanta força pensando, assim, diminuir os solavancos e escapar das violentas solapadas.

Chegamos molhados até o último osso, num trapiche reconstruído há alguns dias, após ter sido levado por uma das marés altas, que acontecem pelo menos uma vez por mês naqueles 2º de Latitude Norte numa ilha com 40km de extensão cercada por profundidades de 5 metros de pura lama.

A amplitude das marés é inacreditável. Chega a 10 metros, com direito a pororocas que não deixam dúvidas quanto ao nome do Igarapé "do Inferno" - que separa a Ilha em duas partes - e erosões constantes tanto pela variação quanto pela correnteza de arrastar navio e cavar barranco. Certa vez um grande veleiro teimou em fundear próximo à ilha e teve sua super âncora quebrada por desprezar os avisos do Seu Zé.

A cozinha está sempre ativa com peixes saborosos e quitutes-surpresa como o delicioso mel que o pessoal trouxe de madrugada e espremeu na mão até as abelhas chegarem reclamando o saque, de manhãzinha.

Infelizmente, a base está condenada por ter sido construída onde a maré resolveu comer um bom pedaço da ilha, justamente onde está o trapiche. Mas o pessoal em breve terá concluído uma nova obra em local seguro e espera-se que a a maré deixe aquele recanto um pouco mais tranquilo por um tempo.

Enquanto isso, macacos, papagaios, tucanos, gaviões, pica-paus, veados e onças passeiam tranquilos em volta da base do ICMBio, porque ali ninguém incomoda ninguém e os bichos podem ganhar uma comidinha extra...

Gavião-caranguejeiro habitante da Ilha de Maraca-jipioca

O trapiche vira-e-mexe é arrastado pela correnteza

O mesmo trapiche na maré enchente, que passa por cima de tudo na cheia!

Parte da equipe do ICMBio na sede que está com seus dias contados

A visita surpresa: espécie de Gibóia (Coralus ortulanus)

Vira-pedras (em plumagem não reprodutiva) aproveitam a maré baixa à cata de moluscos

Curica (Amazona amazonica)

Bonome: o lago dos Flamingos

Pertinho da Ilha das Onças, em menos de uma hora de voadeira chega-se ao Lago Bonome. Paraíso onde passamos uma noite encantada numa palafita de pescadores.

Quase encalhamos na chegada e tivemos que dar duro remando à ré, com a voadeira, até girar 180º e continuar com o motor cavando lama por outro braço antes que a maré vazasse e ficássemos presos até outra maré, sabe-se lá quando, nos tirar dali.

Novamente, graças à habilidade do Seu Zé e muito esforço contra o vento, conseguimos sair da voadeira para uma canoa, ajeitar o motor "rabeta" e aí sim, com água e tralhas, alcançar a palafita. Estávamos, finalmente, no tão sonhado Lago Bonome com todo encantamento que Gislaine nos passou por email e mais um tanto onde só de corpo e alma consegue-se atingir.

Banho de lata, redes armadas, mosquiteiros e uma chuva… de estrelas! Nossos sonhos foram embalados por uma brisa suave e a barulheira dos tralhotos chupando lama debaixo da nossa incrível pousada.

Acordamos com o sol na posição em que encontraríamos o ícone mais aguardado de toda a Expedição: o Flamingo. Embarcamos na canoa duvidando que sairíamos daquela lama grudenta, não fosse a confiança do Seu Zé na manobra da rabeta. Num instante estávamos deslizando em dois dedos de água, depois quatro, cinco… no ambiente perfeito para aves migratórias vindas do Norte. Um imenso picnic alado antes de seguirem ao Sul.

No meio do Lago Bonome nossa expedição ganhava ares de delírio costeiro até a maré avisar que era hora de voltar à realidade. Ali é lugar para se passar uma vida inteira porque tudo é movimento: onde era terra firme, agora é lâmina d’água; onde plantação e pastagem, areia; onde cemitério e casas, pesqueiro. Seu Zé contava da época em viveu no Bonome com os pais, enquanto apontava o já era de tudo por ali. A lama grudou fundo nos nossos corações, mas tínhamos que voltar antes da maré...


Seu Zé, querido amigo, guia e barqueiro atentado de bom!

Fora de perigo após trocar de voadeira para rabeta num dos furos que levaram ao Bonome

Uma lâmina d'água ideial para o picnic das aves migratórias

Um dos abrigos de pescador no meio do Lago Bonome

Aqui nos abrigamos das estrelas e dos tralhotos

Seu Zé no único ponto com sinal de celular tentava falar com a base


Tralhotos por todo lado "chupando" lama

Árvore de Biguá no meio do Bonome

Flamingos na pista de decolagem

 Uma vez no ar são de uma beleza e suavidade incríveis!



 

Guia e Poster das Aves Costeiras

Passamos os três primeiros meses de 2020 escolhendo, tratando e recortando fotos; estudando cores de fundo até chegar ao azul de Iemanjá; desenhando e trocando ideias com Guias, Ornitólogos e fotógrafos para finalmente apresentar o Guia e o Poster das Aves Costeiras.

Provas de prelo foram analisadas com carinho e precisão; mínimos acertos foram revisados trocentas vezes por nossos parceiros e enviados para a gráfica. Agorinha, neste mesmo instante, chegaram os impressos e estão prontinhos para serem enviados para todo mundo curtir as maravilhas aladas da Costa Brasileira!

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Detalhe do Poster das Aves Costeiras

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O Guia de Bolso das Aves Costeiras com sua bela capa
Foram acrescentadas algumas espécies além das que estão no Poster

Detalhe do Guia das Aves Costeiras

 

Ficha Técnica

Realização: Roda de Passarinho
Fotos, Redação, Design: Renato Rizzaro
Pesquisa e Revisão: Gabriela Giovanka 
Orientação e Revisão Científica: Vítor de Q. Piacentini e Onofre Monteiro/Aquasis
Fotógrafos convidados: Alejandro Olmos, Bruno Kadletz, Carlos Blanco, Cecília Licarião,
Danielle Bellagamba, João Quental e Marina Somenzari
Fontes: Helmut Sick, CBRO, HBW

 

Agradecimentos

Adriana Mendes, Nova Friburgo, RJ
Aldeia Karipuna, Oiapoque, AM
Aldeia Pataxó, Porto Seguro, BA
Alexandre e Isa Moreira, Ilha de Santa Catarina
Anna Andrade, Ilha de Deus, Olinda, PE
Antonella Tassinari, São Paulo, SP
Bárbara, Leonor e família, Itaparica, BA
Caio Brito e Tati Pongiluppi, Caparaó, MG
Carlos Eduardo Blanco, Angra dos Reis, RJ
Cecília Licarião, Fernando de Noronha
Ceiça, Camping Serra da Capivara, PI
Claudia Guadagnin, OJC, PR
Cláudia Schembri, Santo André, BA
Cláudio Lopo, Itacaré, BA
Cristina Rappa, São Paulo, SP
Cristine Prates e Ciro Albano, Fortaleza, CE
Daia & Jola, Península de Maraú, BA
Daniel Cywinski, Paraty, RJ
Daniela e Alice Marreiros, Serra Capivara, PI
Débora Reis, Itaparica, BA
Dona Ciça, Instituto Pierre Verger, Salvador, BA
Douglas PT & Maiara, Belém, PA
Dra. France, Belém, PA
Edgar Fernandez, Instituto Guaju, PR
Elair, Mar Brasil, Pontal do Paraná, PR
Eleildes do Rosário, Quilombo Jatimane, BA
Equipe ICMBio Maricá-Jipioca, Amapá, AP
Fabio Nunes, Aquasis, Aquiraz, CE
Fernando Costa Straube, Curitiba, PR
Filipe Ventura, Quilombo Monte Alegre, ES
Frederico Brandini, São Paulo, SP
Girlan Dias, ICMBio, MA
Gislaine Disconzi, Alto Paraíso, GO
Heleno dos Santos, ICMBio Cajueiro da Praia, PI
Ico, Polyanna & família, Seridó, RN e J. Pessoa, PB
Iranildo S. Coutinho, Maricá-Jipioca, AP
J. Augusto Alves, Macapá, AP 
Jamile Nobre e família, Itaparica, BA
João Velho, Icapuí, CE
Jorge Cuesta, Belém, PA
Jorge Velloso, Instituto Água Boa, Ituberá, BA
José Luiz S. Barata (Seu Zé), Maracá-Jipioca, AP
Josimar de Oliveira, S. José do Seridó, RN
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Léa Penteado, Santo André, BA
Leck Marinho, ICMBio Maracá-Jipioca, AP
Léo Alves, Vitória, ES
Leopoldo Pivovar, Vargem Alta, ES
Mãe Beth de Oxum & família, Olinda, PE
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Marcelo C. Sousa, Aracaju, SE
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Maria das Dores, Quilombo Jatimane, BA
Marisa & Márcio, Península Maraú, BA
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Mary Jane, ICMBio São Luis, MA
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Mônica Nunes, Conexão Planeta, SP
Muriel Noel, Santo André, BA
Nívia, Instituto Oyá, Salvador, BA
Onofre Monteiro, Aquasis, CE
Osmar Borges, ICMBio Boa Nova, BA
Paulo Silvestro, ICMBio Macapá, AP
Pedrina Rosário, Quilombo Jatimane, BA
Priscilla Gomes, Veracel Porto Seguro, BA
Rafael Buda, Olinda, PE
Rafaella e J. Quental, Rio de Janeiro
Rafa & Julia, Ilha de Santa Catarina
Renata Meireles, Território do Brincar, SP
Ricardo Mendes, Belo Horizonte, MG
Ricardo M. Pires, ICMBio Cabo Orange, AP
Ritinha, Neojibá, Salvador, BA
Roberto Kobayashi, Icapuí, CE
Rogério Funo, ICMBio São Luis, MA
Ronaldo Francisco, L. Magalhães, BA
Salomé França, Itaparica, BA
Samarone, Itabaiana, SE
Suzana Camargo, Conexão Planeta, SP
Sylvia Junghähnel, Parati, RJ
SPVS, Curitiba, PR
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Tatjiana Lorenz, Goethe Institut, SP
Thiago Toledo, Fortaleza, CE
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Vítor Piacentini, Cuiabá, MT
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