sábado, 18 de janeiro de 2020

Belém, Quilombo América e Ajuruteua, PA


Professora Vera e Professor Aldo com seus alunos do primeiro ano

Ivanete, Ivaneide, Deyse, Eliana, Juliane, Ana, Cristiane, Vera, Viviane, Sandra e Sheila; ao fundo, Orinaldo; Jorge e Rudi, abaixo.

Professores da Escola República de Portugal durante a Roda de Passarinho

Presença portuguesa na arquitetura bragantina


Enquanto as crianças jogavam futebol um gostoso café era preparado para as visitas


Repare no tamanho da bola à esquerda!


No início, um tanto inibidas, crianças se soltaram para fotos

A beleza emoldurada pelo cabelo solto, após o futebol















Há muito tempo nossa ideia era conhecer Belém, desde que passamos pelo Rio Amazonas e de Santarém seguimos para Manaus, durante a Expedição à Amazônia. Mas nos disseram que descer o rio seria menos interessante do que subir, pois o barco segue a correnteza e sempre está no meio do rio, enquanto na subida, procura as margens. Faz muita diferença, pois o Amazonas tem distâncias enormes entre uma e outra margem.

Durante a expedição Costa Brasileira, Belém estava cravada no roteiro. Ponto obrigatório no mapa. Fomos muito bem recebidos por Douglas (PT) e sua família, amigão do Buda, nosso guru em Olinda, amigo desde o Espírito Santo, durante o Cine.Ema. PT é Delegado dos bons e contou pra gente algumas histórias de arrepiar sobre uma outra cidade vizinha em que atuou até quebrar o braço e ter que passar uma férias forçadas em seu apartamento em Belém. Bragança, é a cidade que também conhecemos com outra figura interessante: Jorge Cuesta.

No início da década de 90 Jorge vivia lendo sobre a América Latina, daí latinizaram o seu nome para Jorge Della Cuesta. Poeta revolucionário, leitor insaciável, amante da filosofia anarquista e da utopia, é servidor público estadual do Pará, Pedagogo, Sociólogo e Produtor independente de audiovisual sobre temas amazônicos.

Jorge nos levou à sua escola para realizarmos duas Rodas de Passarinho com apoio da Casa de Estudos Germânicos / UFPA. Através de nossa querida amiga Katja Hölldampf a Casa adquiriu uma Caixa e uma Coleção de Posters que foram doados à Escola Municipal de Ensino Fundamental República de Portugal, no bairro Marambaia.

Após, Jorge nos levou a conhecer a Comunidade Quilombola América. Com 53 áreas tituladas, Pará é o Estado que mais reconhece comunidades quilombolas no Brasil.

Guará na Vila dos Pescadores, Ajurateua, PA.

Durante a maré baixa os reparos na embarcação em Juruteua

"A gente tá tirando o caranguejo, já tem marreteiro na beira da estrada chamando pra pagar."


Bragança e um dos maiores manguezais do Brasil


Bragança está inserida na região com uma das maiores reservas de manguezais do mundo próximas à linha do Equador, litoral amazônico, entre a foz do rio Oiapoque (Amapá) e a baía de São Marcos (Maranhão), área conhecida como Costa Norte.

O manguezal, um dos principais ecossistemas costeiros da Amazônia brasileira, ocupa 4.500km2 na costa do estado do Pará, correspondendo a cerca de 1/5 dos manguezais de todo o Brasil.

Existe um contraste evidente quando se percorre a rodovia PA-458 de Bragança à Ajuruteua, considerada a Princesinha do Atlântico,  de um lado o manguezal vivo e de outro, a floresta devastada e o mangue em processo de recuperação, resultado do aterramento.

As alterações ambientais foram enormes e o resultado tem sido a retração dos manguezais no litoral, sobretudo por conta do aterramento de parte desse ecossistema para a construção da rodovia. Com isso, a areia cobriu as camadas de lama, obstruiu as águas de maré e asfixiou a vegetação.

Além da “morte” de parte do mangue e de inúmeros elementos da fauna e da flora por conta da barragem que alterou o fluxo da maré, houve o acúmulo de lixo na praia, construções irregulares nas dunas e o aumento da exploração de peixes e caranguejos, devido ao fácil acesso, ocasionando a diminuição dos recursos.

A construção da imagem de Ajuruteua como paraíso natural foi reforçada pela penetração da estrada na imensa floresta de mangue. O tamanho e o grande número das árvores, os caranguejos andando na estrada e os pescadores saltando dos botes com o pescado amarrado em cipós são elementos que compõem o imaginário de quem frequenta o lugar, trazendo a impressão de abundância e facilidade na aquisição do alimento. Até a década de 90, era possível ver, à beira da estrada, placas que indicavam “Cuidado, caranguejo na pista”, alimentando esse imaginário edênico.

Para quem vive do manguezal a vida é desgastante e perigosa. Andar no tijuco - solo lodoso e movediço-,  repleto de raízes aéreas e troncos pontiagudos; ser picado por insetos e ferroado por peixes enquanto enfia o braço nos buracos, ainda corre o risco de ser atacado pelo caranguejo. Ainda é assombrado pelo Ataíde, ser encantado, típico da região bragantina, alto, negro, peludo, que possui pênis avantajado. Se não bastasse, tem o marreteiro, que explora o catador o quanto pode. Tudo comprovado pelas cicatrizes nos corpos dos mariscadores e por sua condição social precária.

"Olha, na época que eu trabalhava, estes manguezal aí pra banda da beira da estrada era tudo vivo, sabe? Depois que essa estrada foi formada, que foi atolado o manguezal com a estrada, teve parte que morreu muito. E aqui nessa beira da estrada tem muita paragem que morreu, né?", afirmava André Tavares da Gama em 2010, e continua: "...a gente ia assim de canoa, porque quando não tinha essa estrada, a gente ia em canoa, chegava lá embaixo, a gente passava três dia, quatro dia, trabalhando lá ..., pra poder vender lá em Bragança, aí nessa época não tinha quase marreteiro, a gente tinha que ir lá em Bragança vender, agora não! Marreteiro, a gente tá tirando o caranguejo, já tem marreteiro na beira da estrada chamando pra pagar a gente, quantas peras a gente tem. Antes dessa estrada aqui, eu ia direto para feira vender lá, né? E depois que a estrada continuou aqui, começou transitar carro, aí já vende lá no marreteiro."

(Fonte: Scielo)


Guarás, barcos, pescadores e aves migratórias em Ajuruteua





quarta-feira, 15 de janeiro de 2020

Pataxó na Roda de Passarinho




"Da janela lateral do quarto de dormir"...


Nosso Guia Siricuar, atento aos movimentos entre as árvores

Enquanto observávamos, também éramos observados

Monumento construído coletivamente pelos Pataxó em homenagem aos povos extintos


Casa erguida pelos Pataxó para cerimônias e receber visitantes


Vários piprídeos foram avistados nas trilhas; aqui, o magnífico Tangará-rajado (Machaeropterus regulus)


Após a Roda de Passarinho, flautas e poster de presente. Ao lado da Gabi, de camiseta laranja, o Cacique.


Muitas histórias contadas pelos nativos da aldeia


As flautas foram presenteadas e tocadas com sabedoria


Tohõ Pataxó, professor da Cultura e Língua Patxohã


Na guarita do Parque Nacional do Monte Pascoal a primeira surpresa: um indígena usando saia de casca de beriba e cocar de penas nos recebe de celular na mão. Pronto, estava feita a conexão. A partir dali estávamos prontos para conhecer a aldeia Pé do Monte.

Estacionamos a Toyoca em frente à guarita entre cabanas de artesanato, pés enormes de jaca e a casa do cacique, de onde uma senhora sentada oferecia coco gelado e chupe-chupe, aquele sorvetinho dentro de um saquinho plástico também conhecido como chopp ao norte do país. Enquanto fazia pulseiras e outras peças artesanais.

O Parque é gerenciado pelos Pataxó desde a retomada do Monte Pascoal em agosto de 1999 e a visitação é feita sempre com um guia vestido à caráter e conhecedor dos caminhos e da história do seu povo. Faz parte do território de Barra Velha, originalmente dos índios Pataxó, que criaram a Associação Pataxó de Ecoturismo, permitindo que o espaço fosse visitado por turistas, estudantes e pesquisadores.

Os Pataxó fizeram acordo com empresas de turismo para transportarem os visitantes até o local, desenvolvendo atividades como trilhas ecológicas com guia local, palestra sobre lendas, hábitos e costumes, contato com o Pajé para conhecer um pouco da medicina indígena, degustação da culinária tradicional e visualização da confecção do artesanato.

Para conhecer a língua Patxohã, a dança, a cauinagem, a culinária, os cantos, o artesanato, os rituais sagrados e pinturas corporais e a verdadeira História do Brasil contada pelos próprios Pataxó, ligue 73 99952 1766 ou 73 99972 1594. No Facebook: /apapempataxo

Assista a entrevista com Tohõ Pataxó, professor da Aldeia Pé do Monte.




segunda-feira, 13 de janeiro de 2020

A Roda de Passarinho na Reserva do Quilombo Frechal, Mirinzal, MA

Roda de Passarinho na Floresta Encantada



Primeiros momentos de Roda, logo chegou mais gente

Janileia com o Poster das Aves da Amazônia, presente da Roda para a Comunidade

Livros, fotos e posters foram presenteados aos quilombolas

Depois da Roda um banho de rio...







Os pais de Janileia nos receberam com carinho. Em frente à sua casa, a nossa Toyoca




A História do Quilombo Frechal começa no ano de 1792, com a vinda de africanos escravizados da Costa da Mina, do povo Mandinga. É uma História de muita resistência, de estratégia e superação, como afirma a professora Janileia Silva Gomes, uma das grandes ativistas de seu povo.

Localizado em Mirinzal, na região da baixada maranhense, foi o primeiro Quilombo do Brasil a ser certificado pela Fundação Cultural Palmares, e conquistou definitivamente o seu território em 1992. Nesse ano foi decretado como Reserva Extrativista, juntamente com as comunidades de Rumo e Deserto.


O Casarão

"Os anos foram se passando, a fazenda e o casarão possuíram alguns proprietários brancos diferentes, mas os negros continuaram sua resiliência por ali, honrando o sangue de seus ancestrais e guardando as terras que seriam suas por mais que direito", nos conta Janileia e continua: "até que em 1992, depois de um longo período de luta pela terra, os moradores do Frechal conseguiram a propriedade definitiva do território."

O Casarão, antes ocupado pelos antigos patrões de origem europeia foi retomado e reapropriado pelos negros. Tornando-se um símbolo do Quilombo Frechal.

O Casarão foi reocupado pela Associação dos Moradores do Frechal e já teve desde oficinas de formação comunitária, telecentro, Posto de Saúde, Rádio Comunitária a encontros de movimentos sociais. Hoje está fechado, pois a comunidade não consegue pagar as contas de luz atrasadas. Financiamento Coletivo já foi feito para angariar fundos, mas não teve sucesso.


Turismo de Base Comunitária

Os quilombolas investem no Turismo diferenciado, de conhecimento de suas maneiras de vida e convidam aos interessados a vivenciarem em suas casas uma experiência única, onde podem conhecer o dia-a-dia da pesca, agriculta e artesanato desenvolvido pela Comunidade.

A Reserva Extrativista do Frechal oferece boas condições de acesso. É cortada no seu terço Oeste na direção Norte Sul, pela Rodovia MA 006, que liga a área à cidade de São Luiz, capital do Estado do Maranhão, localizada a uma distância de aproximadamente 300km.

Possui ainda algumas vias carroçáveis e caminhos internos. Pela sua localização a área pertence à Micro Região Homogênea da Baixada Ocidental Maranhense e está incluída na Área de Proteção Ambiental da Baixada Maranhense.

Quase toda a área é coberta por Floresta Secundária Latifoliada (de folhas largas), com predominância de buritizais, açaizeiros e palmeiras de babaçu, além de floresta ao longo dos cursos d'água. Há também pastos e plantações de café, guaraná e pimenta do reino.

Pertence à bacia do Rio Uru, onde encontram-se áreas de campos inundáveis, característicos da Baixada Ocidental Maranhense.

As áreas de campos inundáveis vem sendo utilizadas basicamente para o plantio de arroz, pesca e a coleta de ervas medicinais. A grande quantidade de babaçuais, tucuns e pindovais são vegetação resultante de áreas desmatadas abandonadas.

O seu estágio atual mostra que a devastação da mata original (pré-amazônica) foi realizada há várias décadas. Mesmo a região de mata denominada "Mata do Jacundá", que apresenta características de floresta tropical pré-amazônica, apresenta feições próprias de mata secundária. Os pindovais são predominantes em muitas áreas da Reserva, principalmente naquelas mais intensamente utilizadas para a agropecuária. Contudo, principalmente nos igarapés, margens de rios, regatos e igapós, ainda se encontram feições de vegetação original, com a predominância de buritis, juçaras e andirobas, mostrando que tem se mantido e relativamente preservada a mata ciliar e consequentemente os mananciais de água.


Fauna

Várias espécies ocorrem na região: pacas, veados, capivaras, cutias, caititus e outros animais. Entretanto, tendo em vista a forte pressão gerada pelos desmatamentos e a ação da caça de subsistência, a população destas espécies diminuiu consideravelmente. Traíra, pacu, aracú, piranha, piau e piaba são os peixes mais consumidos na região.


(Fonte: UCs do BrasilVakinha, Facebook e entrevista com Janileia Silva Gomes)



sexta-feira, 10 de janeiro de 2020

Entrevista com Heleno Francisco dos Santos, Cajueiro da Praia, PI

Entrevista com Heleno Francisco dos Santos: Peixe-boi, clique na foto para assistir!


Ilha de Caçacueira, Reserva Extrativista de Cururupu, MA

Ilha de Caçacueira: caminhos de areia, paraíso dos pedestres. Nenhum automóvel!



Cururupu é a maior Resex Marinha do Brasil com mais de 180 mil hectares, sendo mais de 59 mil de manguezais


Paisagem krajcbergiana nos manguezais soterrados da Ilha de Mangunça

A Reserva é Uma das poucas Zonas Úmidas de Importância Internacional – Sítio Ramsar


Uma das mais belas aves brasileiras


Equipe da Secretaria de Educação e Meio Ambiente


Após a Roda de Passarinho, um passeio pela Ilha de Caçacueira


Na frente do Colégio, alunos e professores com os presentes da Roda de Passarinho


A turma dos pequenos após a Roda de Passarinho, com suas flautas mágicas com a profa. Leudiane

Hermínia, Gabriela, Gesicleide (Sec. de Educação), Rosielem, Gilberto (Sec. Meio Ambiente) e Renato


Espiando passarinho...


Ruas de areia, excelente exercício a todos


Ninhos tecidos com pedaços de redes


Os pequenos curtiram a Roda de Passarinho


... e viajaram nos sons da floresta, tanto à noite quanto de dia


Gilberto Luis Costa Fonseca, Secretário de Meio Ambiente de Cururupu, participou de todas as atividades




Sapo grande cantando na lua cheia


Chegar até a Ilha de Caçacueira é uma aventura! Estacionamos nossa Toyoca na Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Cururupu, a convite do Secretário, nosso querido amigo Gilberto Fonseca, irmão de Mary Jane Costa Fonseca, Chefe da Resex Cururupu.

Ali tomamos um bom banho, jantamos e dormimos um tanto, pois antes do sol nascer, já estávamos na porta, com mochilas e sacos estanques aguardando a van que nos levaria até Apicum-açu de onde um barco nos esperava para seguir a jornada. Tirar uma soneca sacolejando na van foi difícil; porém, ao lamber das ondas ninguém resistiu.

O planejamento para os dias seguintes seria intenso, pois a equipe da Secretaria de Educação, capitaneada pela Secretária Gecicleide Fonseca, estaria em campo para uma visita técnica às escolas onde a Roda de Passarinho também seria apresentada. E assim foi.

A querida Gislaine Disconzi, Consultora do Plano de Manejo de Cururupu em 2009, nos passou informações fundamentais para conhecer melhor a área; assim, ao iniciar nossa Expedição, o litoral do Maranhão já era destino certo e sabíamos da importância da Resex para nossa Expedição e para o Brasil.

Ah, sim, cururu é sapo e pu é cantar em Tupi.

A Resex de Cururupu


A Reserva Extrativista Marinha de Cururupu foi criada em 2004, e localiza-se entre Cururupu e Serrano do Maranhão. Com mais de 185 mil hectares, a Reserva abrange ecossistemas costeiro-marinhos, estuarinos, extensos manguezais, três baías marinhas, 15 ilhas habitadas e tem uma população aproximada de 5.000 pessoas. A pesca artesanal é a principal atividade econômica.

O Programa para o Desenvolvimento do Ecoturismo na Amazonia Legal, no estado do Maranhão, estabeleceu como prioridade para a região das Reentrâncias Maranhenses o Polo Ecoturístico da Floresta dos Guarás, uma formação florestal situada no litoral maranhense, a oeste da capital, São Luís, devido aos mais extensos e bem conservados manguezais do Nordeste e, também, um ponto de grande concentração de ninhais e dormitórios de aves, com destaque para Endocimus ruber, o guará, que dá colorido e nome ao lugar.

As vilas tradicionais de pescadores da Floresta dos Guarás são atrativos adicionais muito interessantes e que as atividades cotidianas dos moradores, sobretudo das ilhas, incluindo a feitura de embarcações e o retorno dos barcos após as pescarias, podem ser vivenciadas pelos visitantes. A culinária regional tem como base peixes e frutos do mar frescos, generosamente disponíveis.

Area de Preservação Ambiental das Reentrâncias Maranhenses


Criada em 1981 pelo governo estadual por conta de suas características naturais notáveis – sobretudo dos manguezais, que exercem função primordial para a manutenção da Baixada Maranhense e para a
produtividade pesqueira – e pelo seu valor paisagístico, ocupa mais de 2,5 milhões de hectares de áreas terrestres e marinhas em 13 municípios.

Essa Area passou a integrar a Rede Hemisférica de Reserva para Aves Limícolas na categoria de Reserva Internacional, em dezembro de 1991 e, mais tarde foi incluída na lista de Zona Úmida de Importância Internacional – Sítio Ramsar, em 1993. O Brasil possui nove Sítios Ramsar.

Aves migratórias na Reserva


O Atlas Nearctic Shorebirds on the coast of South America (1989 – Vol. 1 e 2) apresenta os resultados obtidos em busca das principais áreas de invernada de Charadriidae e Scolopacidae neárticas no litoral do continente. Realizados em janeiro e fevereiro de 1982 e 1986, sobrevoos cobriram 28.000km da costa sul americana e incluíram áreas conhecidas do litoral com hábitat para essas aves migratórias.

Mais de 2,9 milhões de maçaricos e batuíras das duas famílias foram contados durante os censos, subdivididos pelo porte em espécies grandes (4%), médias (16%) e pequenas (80%).  Os resultados demonstraram que as populações de Charadriidae e Scolopacidae neárticas usando a costa sul americana durante o inverno boreal estão concentradas em porções do continente, com altas porcentagens em um pequeno número de locais.

Para as Reentrâncias Maranhenses especialmente para maçaricos o Atlas menciona que as concentrações mais importantes estavam entre as ilhas de Lençóis e Baía de Cumã, com o maior total (56.000 indivíduos) localizado na Baía Cabelo de Velha, a nordeste de Cururupu.

Maiores concentrações de Maçariquinho-miúdo Calidris pusilla estiveram entre as Baías de Cumã e Cabelo de Velha. Essa área foi considerada de importância regional para Maçarico-branco Calidris alba com 3.100 aves, 70,5% do total da costa setentrional.

A distribuição total das espécies de médio porte apresentava um padrão de distribuição irregular, com concentrações significativas entre a Baía de Cumã e Ilha de Lençóis, entretanto, a distribuição por espécie variou consideravelmente. Essa região foi considerada a área mais importante na América do Sul para Baituiruçu-de-axila-preta Pluviallis squatarola.

As espécies de maior porte distribuíram-se em um padrão semelhante aos maçaricos das outras classes de tamanho, destacando-se as baía dos Lençóis e do Capim. Essa região foi a principal área de invernada da América do Sul para Maçaricão Numenius pheopus.

Dos dados obtidos, nota-se que a costa entre o Salgado Paraense e as Reentrâncias Maranhenses é de enorme importância internacional como área de invernada de maçaricos e é de primordial relevância para várias espécies.

Ave vermelha


A espécie residente de maior importância para a área da REC é o Guará Eudocimus ruber, considerada espécie símbolo da APA das Reentrâncias Maranhenses e do Pólo de Ecoturismo das Florestas dos Guarás. É uma espécie típica dos manguezais no litoral norte da América do Sul, que originalmente ocorria até a ilha de Santa Catarina, estando hoje restrita, no Brasil, à região do litoral do Amapá ao Maranhão, com uma população disjunta na costa da região Sudeste.

O Guará é uma ave ciconiforme da família Threskiornithidae, também conhecida como Ibis-escarlate, Guará-vermelho, Guará-rubro e Guará-pitanga (do Tupi "ave vermelha"). É considerada por muitos uma das mais belas aves brasileiras, por causa da cor de sua plumagem. Só se reproduz vivendo em bando e basta que o grupo se torne menor, o que parece que está acontecendo aos poucos, para que tenhamos uma situação de risco.

Pode-se afirmar que esta ave é indicadora da qualidade dos ecossistemas, pois o vermelho de suas plumas é consequência da alimentação de crustáceos em geral, caranguejos e camarões. As principais espécies consumidas são características de manguezais e estuários, particularmente com o caranguejo têm uma ligação importante com a cor de suas plumas. O vermelho das penas se deve a um pigmento chamado cataxantina, que é derivado do caroteno, responsável pela cor das cascas dos caranguejos e camarões. O Guará é capaz de absorver o pigmento e acumulá-lo em suas penas, tornando-as vermelhas. Sem esses alimentos, o Guará perde a cor.

Peixe-boi


O Peixe-boi Trichechus manatus é uma das quatro espécies de sirênios existentes no planeta. A espécie apresenta um porte considerável (até 700 Kg) e distribui-se do norte da Flórida (EUA) até o litoral norte da Bahia. O litoral do Estado do Maranhão é considerado uma área importante para a conservação do Peixe-boi no Brasil. Isto decorre do fato de metade da população residente ser encontrada em águas maranhenses.

A estimativa populacional para a costa norte brasileira (incluindo o Maranhão) é de apenas 300 indivíduos, o que faria desta uma das espécies mais ameaçadas do Brasil!

A APA das Reentrâncias Maranhenses pode ser um das cinco unidades de conservação com ocorrência desta espécie no Brasil. Nesta área a presença tem sido registrada na Baía do Capim.

A conservação de depende da preservação dos manguezais, pois a espécie recorre frequentemente à procura de alimento, principalmente da Spartina (gramínea), angiosperma que é sua principal fonte de alimentação e que ocorre nas marismas, junto ao manguezal.

Boto


Outra espécie de mamífero aquático que vive nos estuários da Reserva é o Boto-cinza (Sotalia fluviatilis guianensis), conhecido como Boto-cinza-marinho ou Tucuxi, pertence à família dos delfíneos, que têm o hábito de viver em grupos.

Os Botos Cinzas são ótimos nadadores, chegam a 60 km/h e saltam até 5 metros acima do nível da água. Podem viver até 80 anos. Utilizam a técnica de pesca em grupo, que facilita o cerco dos peixes. Sua principal ameaça são as redes de pesca onde, por acidente, acabam ficando presos e morrendo afogados.

Desde 1986, é proibido pesca, caça, perseguição ou captura de cetáceos nas águas brasileiras.

Os Filhos da Lua na Ilha Encantada


Reza a lenda que as crianças nascem muito brancas e com os cabelos que se assemelham ao brilho da lua, e quando as mulheres no início da gravidez saem a passear pelas dunas em noite de lua cheia, o feto é banhado pelo luar no ventre da mãe. Ainda segundo os moradores, os albinos são considerados filhos de D. São Sebastião por possuírem a pele e os cabelos muito claros e acreditam que o Rei engravida as mulheres enquanto elas dormem e seus maridos estão pescando.

A Ilha de Lençois, por abrigar uma comunidade de pescadores, com cerca de 400 habitantes,
que pode ser considerada sui generis pela presença significativa de quase 3% de albinos em sua população, onde todos os nativos, albinos e não-albinos, se autodenominam como “filhos do Rei Sebastião”.

A Lenda da Ilha Encantada suscitou diversas interpretações imaginárias sobre a comunidade local e o mito do Touro Encantado é muito conhecido em Cururupu, e todos acreditam que uma cidade encantada existe no fundo mar, onde há um palácio feito de ouro, cristal, esmeraldas e outras pedras preciosas. Em 4 de agosto, data que coincide com a citada Batalha de Alcácer Quibir, aparece, à noite, reluzente e garbosa, a nau de Dom Sebastião que quer aportar em Lençóis.

O rei salta em seu cavalo com arreios de ouro e prata, em uniforme de gala, com espada e condecorações. Há, ainda, que na mesma praia aparece um Touro Encantado que se for atingido na estrela resplandecente que tem no centro da testa, se transformará no Rei Sebastião. Os que vão à praia dos Lençóis e os que visitam a pedra do Rei Sabá acreditam que é proibido levar qualquer recordação do local, pode haver punição.

(Textos adaptados a partir do Plano de Manejo -Fase de Apoio- sob consultoria de Gislaine Disconzi)